Bolsa de Valores

Serie Crise de 2008 (parte 1): nas pegadas de 1929?

Postado por Alessandro Martins em - Insights sobre a bolsa de valores

Esta série é foi escrita pelo psiquiatra Fernando César, editor dos blogs FTudo e Minha Padaria, para iniciantes na Bolsa de Valores.

Leia também

  • Série Crise de 2008 (parte 2): Crise ou Crash de 2008?
  • Série Crise de 2008 (parte 3): e agora? Quais as Perspectivas?
  • Série Crise de 2008 (parte 4): qual o pior cenário possível?
  • Série Crise de 2008 (parte 5): quanto precisamos cair para admitir um Crash? Lembre-se de 1932

Tem-se evitado, ainda, o uso do termo “crash” para a atual crise mundial. Talvez não queiramos acreditar que fomos incompetentes o suficiente para impedir a repetição de uma queda, a de 1929, que, vista com o passar dos anos, parecia previsível, evitável, contornável. Tantos livros foram escritos, tantas análises foram feitas… e cá estamos nós, novamente, cavando rumo ao fundo do poço.

O Crash de 1929

Voltemos à história, e comparemos. Então, decidamos se estamos no meio do “Crash de 2008” ou não.

Muitos pensam que a queda da Bolsa de Nova Iorque aconteceu em apenas um dia, em 1929. Não, não foi assim. Tudo começa na chamada “Quinta-feira Negra”, 24 de outubro. Mas não acaba aí.

Contudo, antes voltemos aos tempos que antecederam a Quinta Negra. Como em toda grande queda, anteriormente houve um período de euforia. Aquela fase em que até pessoas comuns estão começando a comprar papéis. Nos 5 anos anteriores, os valores das ações haviam quintuplicado, em média. A I Guerra Mundial (1914 – 1919) havia colocado os EUA em liderança econômica frente à Europa destruída. A prosperidade pós-guerra parecia não ter fim.

Havia sinais claros, entretanto, que um colapso se aproximava. Parece ser intrínseco ao capitalismo a retração após um período de bonança: não há como se crescer eternamente. Em termos de bolsa, há um momento chave: se todos estão comprados, quem irá comprar agora?!

No dia 3 de setembro, a DJIA (Dow Jones Industrial Average) atingiu um recorde de 381,17 pontos. Nos poucos dias que antecederam a Quinta-feira Negra, grande instabilidade na bolsa: altos volumes de negociação, quedas inesperadas, recuperações súbitas. Em um mês, queda de 17%, que foi seguida por uma recuperação parcial em uma semana.

O temor começa a pairar sobre quem tem papéis nas mãos. A bolha irá estourar? E todos resolvem vender. No dia 24, houve um recorde de negociações. A bolsa despenca. Na sexta-feira, um plano de emergência para restituir a calma: a compra de ações por um preço bem acima do mercado (tática que havia funcionado em 1907). O índice sobe. Mas a tranqüilidade não duraria mais que um fim-de-semana.

Na “Segunda-feira Negra”, dia 28 de outubro, o movimento de desvencilhar-se dos papéis continua. O índice cai mais 13%. No dia-seguinte, a “Terça-feira Negra”, quem ainda não tinha vendido ou quem havia comprado no dia anterior resolve, finalmente, se livrar da bomba. Um novo recorde de negociações é estabelecido. Grandes investidores, como a família Rockefeller, compraram muitos papéis este dia, tentando passar confiança ao mercado. A queda este dia foi de 12%.

Naqueles dois dias, o valor de mercado das empresas caiu 30 bilhões. Mais do que tudo que o país havia gastado na Guerra. Dez vezes mais que o orçamento anual do governo americano, àquela época.

Nos dias seguintes, especuladores resolveram se aproveitar de preços extremamente baixos e compraram. O índice se recuperou um pouco. Mas estes logo fizeram o lucro, e o índice continuou um caminho de longa queda. Em 13 de novembro, fechou a 198,6 – o menor índice daquele ano. Uma perda de quase 48% em relação àquele pico do início de setembro.

Preços tão baixos, hora de voltar a comprar. Em abril de 1930, o índice chegou a 294,0. Isto é, um eventual investidor que houvesse comprado em 13 de novembro e vendido aí, teria obtido cerca de 50% de lucro. Foi o canto do cisne da bolsa americana. A recessão não ligava muito mais para estes números, ela sorrateiramente tomava conta da economia. Pouco a pouco, o índice foi minguando. Sem grandes quedas abruptas. Sem pânico, sem “crash”. Lentamente, minguando, “deprimindo”. Em 1932, no dia 8 de julho, o fundo do poço foi encontrado: Dow Jones fechou a 41,22. Uma queda de 89% em relação ao pico de setembro de 1929. Ou seja, o valor dos papéis foi reduzido a 11% do valor de pico.

Milhares empobreceram, muitos suicidaram. Muitos anos se passariam para que a economia americana recuperasse e, com ela, voltasse a euforia pelas bolsas.

A Grande Depressão não começou com o Crash. Ele foi reflexo do pavor dos investidores ao perceberem a chegada da Depressão. Mas o Crash, sendo tão mais visível que o lento colapso da economia, acorda todos para a Depressão e faz com que esta se aprofunde. O fundo do poço ainda não era em 1929. O Crash era só o prenúncio da Depressão.

Quando se fala em Grande Depressão, talvez a palavra “Grande” seja pequena para dimensionar o tamanho da crise. Os níveis da Dow Jones de 1929 só foram recuperados em 1954. Isto é, 25 anos depois (e, diga-se de passagem, com uma Guerra Mundial para alavancar a economia americana)!

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Série Crise de 2008 (parte 2): Crise ou Crash 2008?

Postado por Alessandro Martins em - Insights sobre a bolsa de valores

Esta série é foi escrita pelo psiquiatra Fernando César, editor dos blogs FTudo e Minha Padaria, para iniciantes na Bolsa de Valores.

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A história é por demais parecida para que evitemos usar o termo “crash”. Que os ministros da economia o evitem, entendemos, ele são políticos e querem se manter no poder, tentando fazer com que as pessoas pensem que tudo pode não passar de um desarranjo temporário. Que os corretores tendem vender a mesma idéia, é compreensível também: o ganha-pão deles depende disso.

Mas quem não tem nada a perder com o uso do termo pode usá-lo, caso se configure necessário. E parece ser o caso.

Em outubro de 2007, o Dow Jones chegou a cerca de 14200 pontos. No início de outubro de 2008, fechou abaixo de 9500. Uma queda de mais de 35%, boa parte desta em poucos dias (quase 20% em menos de um mês).

Em 19 de outubro de 1987, uma outra “Segunda-feira Negra”, a bolsa americana perdeu 22,6% em um só dia! E se recuperou ainda naquela semana. Ora, por que deveríamos nos apavorar, então, com uma queda de menos de 20% em uma quinzena? A diferença é que a queda de agora não é especulativa. Quando grandes bancos da maior economia mundial começam a quebrar, algo extremamente sério está ocorrendo.

Há causas óbvias em curso para o início de uma recessão na economia mundial, quiçá de uma depressão. O governo tenta apagar o incêndio salvando bancos – este volume absurdo de dinheiro é desviado de onde? Da guerra? Não, de investimentos, de crédito para as pessoas. Regras mais rígidas impedirão alavancagens (isto é, “investir com o que ainda não se tem”), e isto também enxuga a economia. Os investidores medianos e pequenos tomam um choque com as perdas súbitas do investido (muitos perderam o que levaram anos para ganhar – “anos”, aqui, não é figura de linguagem, Dow Jones chegou a índices de 2003). Bancos europeus começam a sentir os reflexos dos problemas americanos quase de imediato – o dinheiro não tem mais fronteiras. Empresários temem novas empreitadas – “E se a economia parar?”, eles pensam, cautelosamente. Etc.

A Bovespa perdeu quase 50% em cerca de 5 meses.

Se isto não é um crash, o que seria?! Em quase tudo, 2008 repete 1929. Anos anteriores de euforia. Um período prévio de instabilidade. Dias de quedas enormes, seguidos de dias de recuperação parcial. Ao longo das semanas, perdas astronômicas. Pânico, desorientação. Crise na maior economia mundial como pano-de-fundo.

Quebramos. Não vê ou não admite quem não quer.

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Série Crise de 2008 (parte 3): e agora? Quais as perspectivas?

Postado por Alessandro Martins em - Insights sobre a bolsa de valores

Esta série é foi escrita pelo psiquiatra Fernando César, editor dos blogs FTudo e Minha Padaria, para iniciantes na Bolsa de Valores.

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Margem para especulação ainda há, é claro. Os períodos de instabilidade, aliás, são os melhores para isto.

E pode ser que haja uma grande recuperação dos índices. Mas alguém realmente acredita que nas próximas semanas ou meses a Bovespa subirá 100%, para recuperar o pico de maio? O seu corretor tem coragem de te dizer isso? Se nem ele tem, é porque isto, definitivamente, não ocorrerá.

Claro, a bolsa é relativamente imprevisível, é quase um jogo, e se houvessem certezas ninguém perderia dinheiro. Mas é apenas relativamente imprevisível. Quando há uma crise econômica real por trás, não há como se esperar que a euforia retorne. E quando o governo americano decide lançar um pacote de quase 1 trilhão de dólares para evitar a ruína do sistema econômico, não temos como negar que há uma grande crise no ar.

Não, não é que estejamos no ápice da crise. Estamos apenas no seu começo. Há poucos meses, havia uma divisão, muitos acreditavam que o problema não fosse sério. Hoje, ninguém ousa dizer isto. Agora é que o cinto vai começar a apertar. Menos crédito. Menos investimentos. Desemprego. Pessoas perdendo seus imóveis financiados. Bancos fechando. Etc. Os próximos anos deverão ser bem menos alegres que os que passaram.

Não que o mundo vá acabar por conta disto. Talvez não. É temeroso fazer previsões de curto prazo, as de longo prazo então são quase brincadeiras de adivinhação. Mas temos três cenários possíveis.

No melhor deles (ou “menos pior”), a crise dura poucos meses, no máximo pouco anos, e o mundo logo retoma o eixo em que vinha até 2007.

No intermediário, a crise realmente é séria, e dura anos. Neste ínterim, o mundo todo é prejudicado, pois a economia mundial depende visceralmente da americana. Quem lucrará com isso será quem sair menos prejudicado. Quem encolher menos parecerá maior que antes, finda a crise. Países como a China, Brasil e outros podem se beneficiar, nesse cenário.

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Série Crise de 2008 (parte 4): qual o pior cenário possível no futuro?

Postado por Alessandro Martins em - Insights sobre a bolsa de valores

Esta série é foi escrita pelo psiquiatra Fernando César, editor dos blogs FTudo e Minha Padaria, para iniciantes na Bolsa de Valores.

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E há o pior cenário. Quem me mostrou ele foi Leo Huberman, no seu livro “História da Riqueza do Homem”. O livro foi escrito na década de 30 e analisa a história do capitalismo. É um livro relativamente comum, até suas últimas páginas, quando então Huberman escreve as linhas que, a meu ver, o tornam um visionário simplesmente genial.

O livro foi escrito em 1936. A II Guerra Mundial começa em 1939. Três anos antes, portanto. Três anos antes Huberman pergunta-se o que a Alemanha e a Itália estão planejando com suas políticas econômicas. Ele conclui na penúltima página de seu livro: “A resposta é curta e terrível: GUERRA”.

Guerras, para Huberman, são simplesmente movidas por necessidade de expansão de mercados, desde que o capitalismo surgiu.

Em um cenário de crise mundial, o que poderia movimentar as economias paradas, se não uma guerra? Qual a lição que os EUA retiraram das duas guerras, se não a de que seu país só ganhou, com elas?

O que custa “descobrirem” que o Irã possui as mesmas “armas de destruição em massa” que o Iraque NÃO possuía? O que custa para aquela tensão recente da Rússia com os países europeus virar uma guerra? Custa muito pouco. A I Guerra Mundial teve como estopim um fato quase tolo, o assassinato de um herdeiro do trono austro-húngaro. O barril de pólvora que já estava todo armado explodiu, então.

Não estamos dizendo que haverá a III Guerra Mundial. Com as armas que dispomos hoje, esta poderia ser chamada de A Última Guerra. A guerra que selaria o fim da humanidade. Isto não interessa a ninguém, por isto é pouco provável que ocorra. Contudo, a probabilidade de guerras menores é maior.

Pode ser que estas também não ocorram. Este é pior cenário e, por enquanto, não é o mais provável. Pode parecer alarmista demais ligar uma queda na bolsa a uma guerra, mas devem ter chamado Huberman de “alarmista” também, mas não é à toa que seu livro é impresso até hoje. Aprendamos com os geniais, sejamos menos otimistas e tolos e mais realistas.

Mas torçamos e cuidemos para que não ocorram guerras. Se ficarmos vivos, o pior que pode nos acontecer é vermos murcharem nossos sonhos de prosperidade fácil, é termos que trabalhar mais para efetivar nossos projetos – alguns deles, os mais caros, terão que ser cortados da lista, é claro.

De qualquer forma, não creio estar sendo pessimista, agora, ao repetir John Lennon e o padeiro da esquina: “O sonho acabou.”

Alguns anos depois…

Não acredito que esta será a última grande crise mundial (caso a III Guerra não nos varra do mapa, é claro). Aos poucos a rigidez econômica e protecionista dos governos se afrouxará. Os meninos de Wall Street (quer esta esteja ainda nos EUA ou na China, ou quem sabe, na Bovespa), daqui a algumas décadas, serão novamente cegados pela ganância e pelo otimismo. O passado terá virado história e, na cabeça deles, não se repetirá. Humanos, demasiado humanos, seus corações transbordarão de euforia ao verem um índice subir 10% em um dia. E ordenarão que se compre, compre, compre…

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Seleção de vídeos sobre bolsa de valores no site ADVFN

Postado por Alessandro Martins em - Tudo sobre Bolsa de Valores Vídeos sobre bolsa de valores

Sempre que um leitor me pergunta onde acompanhar a variação de preço de índices como o Ibovespa e de preços de ações, eu indico o ADVFN. Mesmo a opção gratuita é muito boa e oferece bons métodos de implementar sua análise gráfica.

A maior parte dos vídeos, creio, está hospedada no YouTube, sendo uma seleção de temas que dizem respeito à Bolda de Valores, particularmente à Bovespa.

Você pode ver:

Fica a sugestão para o pessoal da ADVFN para implementar um sistema de RSS para acompanhar a entrada de vídeos com mais facilidade através de um leitor de feeds. Dessa forma, não seria necessário entrar a todo instante na página para descobrir se há alguma novidade.

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Como funciona o circuit breaker da Bovespa

Postado por Alessandro Martins em - Uncategorized

O circuit breaker é um dispositivo de segurança da Bovespa.

O período de paralisações serve, entre outras coisas, para que os negociadores tenham tempo de respirar, não entrem em pânico e não agravem uma situação já por si só complicada.

Segundo esse documento da Bovespa, o Circuit Breaker funciona de acordo com algumas regras:

  • REGRA 1: Quando o Ibovespa atingir limite de baixa de 10% (dez por cento) em relação ao índice de fechamento do dia anterior, os negócios na BOVESPA, em todos os mercados, serão interrompidos por 30 (trinta) minutos.
  • REGRA 2: Reabertos os negócios, caso a variação do Ibovespa atinja uma oscilação negativa de 15% (quinze por cento) em relação ao índice de fechamento do dia anterior, os negócios na BOVESPA, em todos os mercados, serão interrompidos por 1 (uma) hora.

E ainda:

  • Não haverá acionamento das REGRAS 1 ou 2 na última meia hora de funcionamento do Pregão;
  • Ocorrendo a interrupção dos negócios na penúltima meia hora de negociação, na reabertura dos negócios, o horário será prorrogado em, no máximo, mais 30 (trinta) minutos, sem qualquer outra interrupção, de tal forma que se garanta um período final de negociação de 30 (trinta) minutos corridos; e
  • Serão cancelados os negócios eventualmente registrados após a ultrapassagem dos limites citados nas REGRAS 1 ou 2.

Resumindo:

  • Se o índice da bolsa cai mais de 10% comparativamente ao fechamento do pregão anterior, ele é acionado. As negociações ficam paralisadas durante 30 minutos
  • Se, ao retornarem as negociações depois dessa meia hora, o índice registrar mais 5% de queda (perfazendo um total de 15% de baixa no dia), o circuit breaker é novamente acionado. Desta vez as negociações ficam paradas durante 60 minutos.
  • Sempre haverá pelo menos mais meia hora de negociação após o acionamento desse dispositivo de segurança. Um pregão nunca termina com o acionamento do circuit breaker. A intenção é permitir que os negociadores ajustem suas posições.

Ainda bem que há o circuit breaker. Sabe lá até onde o índice iria hoje.

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