Série Primeiros Passos 5: preço médio… certo ou errado?
Por Alessandro Martins, em 23.1.2009 em Dicas importantes sobre investimento na bolsa
A Série Primeiros Passos foi escrita com exclusividade por Leandro Martins, autor do livro Aprenda a Investir – Saiba Onde e Como Aplicar seu Dinheiro (compre o livro) e responsável pelo site Seu Consultor Financeiro. Na série, Leandro Martins aborda diversos assuntos sobre os quais eu já falei no Iniciante na Bolsa, mas considero importante que um profissional de maior experiência aborde os temas, reforçando e dando ainda mais autoridade ao conteúdo ensinado, sem falar que uma abordagem diferente pode dar um novo ângulo a velhos assuntos.
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Preço Médio: Certo ou Errado?
Muitos adeptos da filosofia “buy and hold”, isto é comprar e segurar uma ação por pelo menos alguns anos, utilizam a estratégia de continuar comprando uma ação assim que ela esteja em uma tendência de baixa, executando o chamado preço médio.
Conforme o preço da ação cai o investidor continua a cobrar, conseguindo assim um “preço médio” menor.
Abaixo exemplifico a estratégia com um caso real a partir do investimento periódico efetuado uma vez por mês em uma ação da maior fabricante brasileiro de computadores.

Quantidade Total……………………1000 ações
Gasto Total…………………………R$21.585,00
Preço médio da ação…………………..R$21,58

Os mesmos R$21.585 gastos nas 1.000 ações da POSI3, aplicados em um rendimento de alta liquidez como uma LFT ou mesmo um fundo DI resultaria nesse período a um valor total de R$23.743. Suponhamos que a 3,56 ocorre uma reversão da tendência com por exmplo, a ocorrência de um pivot. Ao utilizar esse valor para comprar as mesmas ações a 3,56, consegue-se adquirir não só 1.000 ações, mas 6.700 ações.
Preço médio…………………..1000 ações
Compra única………………….6700 ações
Em caso de valorização da ação para R$20,00, o praticante da técnica do preço médio, detentor de apenas 1000 ações terá R$20.000,00, ainda em prejuízo.
Quem aguardou o final da tendência de baixa da ação e conseguiu comprar 6700 ações a partir do mesmo capital terá R$134.000,00, um lucro de R$112.415,00 (mais de 400%).
Resultado com uma valorização hipotética para R$20,00:
Preço médio……………………- R$1.585,00
Compra única………………..R$ 112.415,00
E como identificar a reversão de preço? Como saber se o ativo está em tendência de alta ou baixa? As respostas a essas questões são respondidas pela Análise Gráfica.
Exemplo ocorrido com as ações do Banco do Brasil de Pivot de Alta (após queda de 1993 a 2000) identificado pela Análise Gráfica e sua posterior valorização dos preços (2001 a 2007):



9 Comentário(s)
Por crmiranda on 25.1.2009 | Reply
Permita-me discordar, mas NÃO é assim que funciona o método do preço médio. Imagine que uma pessoa vai investir, durante esse período de janeiro a outubro os mesmos R$ 21.585,00 mas ao invés de comprar sempre a mesma quantidade de ações, vai fazer o contrário: vai investir todo mês A MESMA QUANTIA: R$ 2.158,50. Então, se o preço da ação está caindo, o investidor está, cada mês, comprando MAIS AÇÕES. É fácil montar uma tabela que mostra que, ao final do mês de outubro, o investidor possuirá em sua carteira nada mais do que 1.914 ações da POSI3, a um preço médio de R$ 11,28. Então, se num dado momento a ação subir para R$ 20,00 como mostra o exemplo do Martins, nosso amigo investidor possuiria um ativo total de nada menos do que R$ 32.280,00 o que representa um lucro 77,35%. Seria um ótimo resultado, sem precisar “advinhar” se o ativo está num ponto de reversão. Portanto, fica faltando realmente um argumento sólido contra o método do preço médio.
Por Alessandro Martins on 26.1.2009 | Reply
Crmiranda,
discordância anotada. Vamos aguardar que o Leandro responda a sua questão.
Abraços do Alessandro.
Por João on 28.1.2009 | Reply
o exemplo foi totalmente parcial, pois compara uma estratégia de formação de carteira(preço médio) com uma situação de compra no menor preço (melhor situação, impossível), o q é bem dificil de acontecer !
o Sr Leandro acertou na “bunda da mosca branca em pleno voo”, no exemplo… comprou de 1 só vez tudo no menor preço (3,56)
como diz o ditado: “prever o passado é fácil !”.
há muitos outros exemplos possíveis de serem citados, cada um com uma rentabilidade diferente, como no exemplo q o Crmiranda nos deu…
no “frigir dos ovos”, qual o objetivo do Sr Leandro ? dizer q a rentabilidade “da média” é menor q a rentabilidade do “melhor cenário” ?
se é isso, bastaria perguntar pra minha mãe q ela diria ! rsrs
um lembrete: a média é pior q o melhor mas é melhor q o pior !
Por Leandro Martins on 28.1.2009 | Reply
Prezado Crmiranda,
Respeito sua opinião, e acredito que todo investimento é válido.
Esse método, por você demonstrado, é uma variação, onde gera mais trabalho operacional, visto que faz-se necessário operar no mercado fracionário, diferentemente da compra programada do lote cheio. Adicionalmente o lucro hipotético de 77% ainda estaria muito abaixo dos 400%, alcançado com base em apenas algumas das teorias da análise gráfica, como a do ponto pivot.
Tal teoria do preço médio ainda possui outras desvantagens, pois sabemos que o mercado pode ficar em tendência baixista por vários anos, além de saber que grandes empresas quebraram como Transbrasil, Mappin, Mesbla, Enron, Wcom etc…
Abraços
Leandro Martins
Por crmiranda on 31.1.2009 | Reply
Prezado Leandro,
Grato pelo retorno. Porém, sem querer criar polêmica, devo discordar mais uma vez, pois não há maior “trabalho operacional” no método do preço médio. Qual é o trabalho extra em se gastar, todo o mês, a mesma quantia em reais? Basta dividir a quantia pela cotação da ação, e pronto.
O que não faz sentido é investir, todo mês, uma quantia cada vez menor, para comprar a mesma quantidade de ações. Como é que o investidor, ao longo do tempo, vai investir CADA VEZ MENOS??? E se as ações estiverem subindo, o investidor vai ter que desembolsar cada vez mais dinheiro nas suas compras? Isso sim é um contrasenso. Assim, repito, o método do preço médio, como foi apresentado originalmente no seu post, não está correto.
Além disso, o pequeno investidor normalmente vai recorrer mesmo ao mercado fracionário, ele existe exatamente para dar maior liquidez às ações. Imagine ter que comprar um lote inteiro de 1000 ações custando cada uma uns R$ 40,00. Isso não é para a maioria das pessoas que estão iniciando na bolsa. Qual é o pequeno investidor que vai ficar arriscando R$ 40 mil numa compra especulativa, com base no que dizem os gráficos?
Também o argumento do mercado baixista não é valido, pois num mercado em queda, dificilmente vai se formar um “pivot” capaz de gerar um lucro imediato de 400%. Até mesmo com opções este resultado é improvável. Para acertar assim é preciso bola de cristal ou pacto com o cão.
Um mercado em queda pode ser uma grande oportunidade de se comprar mais ações, de BOAS COMPANHIAS, com baixo endividamento, crescimento de lucros e geração de caixa, tudo isto a um preço menor, e quando a bolsa retomar seu movimento altista, o investidor terá ganhos significativos com sua carteira de longo prazo.
Quanto aos exemplos de empresas que quebraram,sempre vai haver algum risco nas aplicações em bolsa, é por isso que existe a DIVERSIFICAÇÃO da carteira.
Mais uma vez, não quero polemizar, mas como a proposta do site é ajudar o investidor iniciante, categoria na qual me incluo, acho importante registrar esses aspectos.
Parabéns ao Alessandro por disponibilizar esse espaço de troca de idéias e aprendizado.
Por Samir on 25.11.2009 | Reply
É claro que o crmiranda tem razão. Não se precisa acrescentar nada à explicação, porém mais conteúdo e leitura são bem-vindos.
Por Tiago Mendes on 23.2.2010 | Reply
Como posso comprar um livro de um cara que teve seus argumentos fracassados frente a um investidor iniciante?
Por mike on 24.2.2010 | Reply
Achei péssimo o exemplo de POSI3.
Pegou uma ação em baixa e não concluiu o raciocínio, ou seja, a “virada”, que uma hora ou outra, virá (para empresas que não estejam quebrando, óbvio). Se você resolve sair em out/08, olha o tamanho do rombo…
Por Savio on 6.3.2010 | Reply
Parabens, pelo debate, me ajudou bastante
Bem, na minha opinião, quando compro e ela cai, compro mais, ela cai compro mais, ela cai compro mais, e assim vai.
Quando ela volta um pouco, ja cobre o prejuizo, então calculo se deu uma media um pouco maior que a poupança , coloco as custas e vendo tudo. Assim evito de ficar anos esperando que ela volte ano normal, porem tem ações que compro e elas sobem estas eu ganho taxas melhores e vendo-as tambem
Este foi um jeito que achei de me defender do sobe e desce constante, espero ter ajudado um pouco a alguns iniciantes, como eu
Obrigado