Bolsa de Valores

Entenda o Mercado de Opções 1: o que é uma Opção

Postado por Alessandro Martins em - Tudo sobre Bolsa de Valores

Este artigo faz parte da série Entenda o Mercado Opções. A série é de autoria do convidado Elvis Pfützenreuter. Ele é editor do blog #d00dzFinance e autor do livro Investindo no Mercado de Opções. Ele também oferece uma calculadora de opções Black e Scholes online, que calcula toda uma série de opções de uma vez só.

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Uma opção é um papel semelhante a uma apólice de seguro. Ela garante a seu possuidor o direito de comprar ou vender alguma coisa no futuro, a preço fixo.

Por exemplo, o sinal pago na compra de um imóvel é uma espécie de opção de compra, pois ele me dá o direito de comprar aquele imóvel a um preço combinado. Eu tenho o direito de desistir da compra (mas vou perder o que paguei de sinal). Por outro lado, o vendedor é contratualmente obrigado a vender-me o que prometeu.

Já um seguro de automóvel é semelhante a uma opção de venda. No caso do automóvel bater, a seguradora paga o conserto, restaurando seu valor original; em caso de roubo ou perda total, ela reembolsa o valor total do carro.

Como as opções são negociadas em Bolsa, todas as opções de uma série são exatamente iguais, enquanto apólices de seguro seriam necessariamente diferentes porque dependem do perfil de cada segurado.

É importante notar que o detentor de uma opção tem apenas direitos (ninguém é obrigado a exercer um seguro), mas ele paga um prêmio para adquirir a opção.

Já o lançador de uma opção é semelhante a uma companhia de seguros: recebe o prêmio e em troca assume um compromisso potencialmente muito maior. A diferença é que é muito mais fácil lançar opções na Bolsa (basicamente, qualquer um pode, basta ter capital) do que abrir uma companhia de seguros.

Devido ao fato das opções serem padronizadas, elas têm de envolver bens ou direitos igualmente padronizados: commodities (soja, milho, trigo, açúcar, ouro, prata etc.), ações de empresas negociadas em Bolsa, moedas estrangeiras, etc. O ativo sobre o qual a opção dá direitos, é denominado ativo subjacente.

Vamos nos concentrar daqui para frente em opções de ações, ou seja, cujo ativo subjacente é uma ação de empresa negociada em Bolsa.

A avaliação exata do valor de um automóvel, em particular se usado, depende de inúmeros fatores. É quase impossível fornecer um valor cientificamente exato para ele. Na prática, as pessoas consultam a tabela FIPE, que é o preço médio praticado no mercado.

Já o prêmio de um seguro é mais fácil de determinar: basta pegar o valor de mercado do automóvel, multiplicar pela chance estatística de perda total, e adicionar uma margem de lucro. O ponto é que o prêmio de seguro depende exclusivamente desses valores, portanto pode ser determinado de forma exata, enquanto o valor do ativo subjacente (o automóvel) tem valor determinado ao sabor do mercado.

Assim também acontece com as opções, seja de compra ou de venda. Seu valor depende exclusivamente de seis parâmetros:

  • Preço atual do ativo subjacente (denominado spot)
  • Preço futuro garantido pela opção (denominado strike)
  • Taxa de juros da economia;
  • Prazo até o vencimento da opção (denominado vencimento ou expiração);
  • Taxa média de oscilação do preço do ativo subjacente, também conhecida como
  • volatilidade.
  • E naturalmente, se a opção é de compra ou de venda.

O prêmio uma opção depende totalmente do valor do ativo subjacente, assim como o prêmio de seguro é perfeitamente proporcional ao valor do automóvel segurado. Por esta característica, opções e seguros são denominados ativos derivativos, cujo valor deriva de outro.

Uma característica crucial da opção, como de qualquer seguro, é que ela tem data de vencimento, após a qual deixa de existir, ou seja, vira pó. Isto torna a opção um ativo completamente diferente dos demais, pois quase todo ativo “normal” tem vida útil indefinida (presumidamente eterna).

Elvis Pfützenreuter é mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina e graduado em Ciências Contábeis pela Universidade da Região de Joinville. É pesquisador e professor na área de informática. Trabalha no desenvolvimento de sistemas financeiros desde 1993 e investe no mercado financeiro desde 1997.

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