Bolsa de Valores

Série Crise de 2008 (parte 2): Crise ou Crash 2008?

Postado por Alessandro Martins em - Insights sobre a bolsa de valores

Esta série é foi escrita pelo psiquiatra Fernando César, editor dos blogs FTudo e Minha Padaria, para iniciantes na Bolsa de Valores.

Leia também

  • Série Crise de 2008 (parte 1): nas pegadas de 1929?
  • Série Crise de 2008 (parte 3): e agora? Quais as perspectivas?
  • Série Crise de 2008 (parte 4): qual o pior cenário possível?
  • Série Crise de 2008 (parte 5): quanto precisamos cair para admitir um Crash? Lembre-se de 1932

A história é por demais parecida para que evitemos usar o termo “crash”. Que os ministros da economia o evitem, entendemos, ele são políticos e querem se manter no poder, tentando fazer com que as pessoas pensem que tudo pode não passar de um desarranjo temporário. Que os corretores tendem vender a mesma idéia, é compreensível também: o ganha-pão deles depende disso.

Mas quem não tem nada a perder com o uso do termo pode usá-lo, caso se configure necessário. E parece ser o caso.

Em outubro de 2007, o Dow Jones chegou a cerca de 14200 pontos. No início de outubro de 2008, fechou abaixo de 9500. Uma queda de mais de 35%, boa parte desta em poucos dias (quase 20% em menos de um mês).

Em 19 de outubro de 1987, uma outra “Segunda-feira Negra”, a bolsa americana perdeu 22,6% em um só dia! E se recuperou ainda naquela semana. Ora, por que deveríamos nos apavorar, então, com uma queda de menos de 20% em uma quinzena? A diferença é que a queda de agora não é especulativa. Quando grandes bancos da maior economia mundial começam a quebrar, algo extremamente sério está ocorrendo.

Há causas óbvias em curso para o início de uma recessão na economia mundial, quiçá de uma depressão. O governo tenta apagar o incêndio salvando bancos – este volume absurdo de dinheiro é desviado de onde? Da guerra? Não, de investimentos, de crédito para as pessoas. Regras mais rígidas impedirão alavancagens (isto é, “investir com o que ainda não se tem”), e isto também enxuga a economia. Os investidores medianos e pequenos tomam um choque com as perdas súbitas do investido (muitos perderam o que levaram anos para ganhar – “anos”, aqui, não é figura de linguagem, Dow Jones chegou a índices de 2003). Bancos europeus começam a sentir os reflexos dos problemas americanos quase de imediato – o dinheiro não tem mais fronteiras. Empresários temem novas empreitadas – “E se a economia parar?”, eles pensam, cautelosamente. Etc.

A Bovespa perdeu quase 50% em cerca de 5 meses.

Se isto não é um crash, o que seria?! Em quase tudo, 2008 repete 1929. Anos anteriores de euforia. Um período prévio de instabilidade. Dias de quedas enormes, seguidos de dias de recuperação parcial. Ao longo das semanas, perdas astronômicas. Pânico, desorientação. Crise na maior economia mundial como pano-de-fundo.

Quebramos. Não vê ou não admite quem não quer.

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Série Crise de 2008 (parte 3): e agora? Quais as perspectivas?

Postado por Alessandro Martins em - Insights sobre a bolsa de valores

Esta série é foi escrita pelo psiquiatra Fernando César, editor dos blogs FTudo e Minha Padaria, para iniciantes na Bolsa de Valores.

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  • Série Crise de 2008 (parte 5): quanto precisamos cair para admitir um Crash? Lembre-se de 1932

Margem para especulação ainda há, é claro. Os períodos de instabilidade, aliás, são os melhores para isto.

E pode ser que haja uma grande recuperação dos índices. Mas alguém realmente acredita que nas próximas semanas ou meses a Bovespa subirá 100%, para recuperar o pico de maio? O seu corretor tem coragem de te dizer isso? Se nem ele tem, é porque isto, definitivamente, não ocorrerá.

Claro, a bolsa é relativamente imprevisível, é quase um jogo, e se houvessem certezas ninguém perderia dinheiro. Mas é apenas relativamente imprevisível. Quando há uma crise econômica real por trás, não há como se esperar que a euforia retorne. E quando o governo americano decide lançar um pacote de quase 1 trilhão de dólares para evitar a ruína do sistema econômico, não temos como negar que há uma grande crise no ar.

Não, não é que estejamos no ápice da crise. Estamos apenas no seu começo. Há poucos meses, havia uma divisão, muitos acreditavam que o problema não fosse sério. Hoje, ninguém ousa dizer isto. Agora é que o cinto vai começar a apertar. Menos crédito. Menos investimentos. Desemprego. Pessoas perdendo seus imóveis financiados. Bancos fechando. Etc. Os próximos anos deverão ser bem menos alegres que os que passaram.

Não que o mundo vá acabar por conta disto. Talvez não. É temeroso fazer previsões de curto prazo, as de longo prazo então são quase brincadeiras de adivinhação. Mas temos três cenários possíveis.

No melhor deles (ou “menos pior”), a crise dura poucos meses, no máximo pouco anos, e o mundo logo retoma o eixo em que vinha até 2007.

No intermediário, a crise realmente é séria, e dura anos. Neste ínterim, o mundo todo é prejudicado, pois a economia mundial depende visceralmente da americana. Quem lucrará com isso será quem sair menos prejudicado. Quem encolher menos parecerá maior que antes, finda a crise. Países como a China, Brasil e outros podem se beneficiar, nesse cenário.

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Série Crise de 2008 (parte 4): qual o pior cenário possível no futuro?

Postado por Alessandro Martins em - Insights sobre a bolsa de valores

Esta série é foi escrita pelo psiquiatra Fernando César, editor dos blogs FTudo e Minha Padaria, para iniciantes na Bolsa de Valores.

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  • Série Crise de 2008 (parte 5): quanto precisamos cair para admitir um Crash? Lembre-se de 1932

E há o pior cenário. Quem me mostrou ele foi Leo Huberman, no seu livro “História da Riqueza do Homem”. O livro foi escrito na década de 30 e analisa a história do capitalismo. É um livro relativamente comum, até suas últimas páginas, quando então Huberman escreve as linhas que, a meu ver, o tornam um visionário simplesmente genial.

O livro foi escrito em 1936. A II Guerra Mundial começa em 1939. Três anos antes, portanto. Três anos antes Huberman pergunta-se o que a Alemanha e a Itália estão planejando com suas políticas econômicas. Ele conclui na penúltima página de seu livro: “A resposta é curta e terrível: GUERRA”.

Guerras, para Huberman, são simplesmente movidas por necessidade de expansão de mercados, desde que o capitalismo surgiu.

Em um cenário de crise mundial, o que poderia movimentar as economias paradas, se não uma guerra? Qual a lição que os EUA retiraram das duas guerras, se não a de que seu país só ganhou, com elas?

O que custa “descobrirem” que o Irã possui as mesmas “armas de destruição em massa” que o Iraque NÃO possuía? O que custa para aquela tensão recente da Rússia com os países europeus virar uma guerra? Custa muito pouco. A I Guerra Mundial teve como estopim um fato quase tolo, o assassinato de um herdeiro do trono austro-húngaro. O barril de pólvora que já estava todo armado explodiu, então.

Não estamos dizendo que haverá a III Guerra Mundial. Com as armas que dispomos hoje, esta poderia ser chamada de A Última Guerra. A guerra que selaria o fim da humanidade. Isto não interessa a ninguém, por isto é pouco provável que ocorra. Contudo, a probabilidade de guerras menores é maior.

Pode ser que estas também não ocorram. Este é pior cenário e, por enquanto, não é o mais provável. Pode parecer alarmista demais ligar uma queda na bolsa a uma guerra, mas devem ter chamado Huberman de “alarmista” também, mas não é à toa que seu livro é impresso até hoje. Aprendamos com os geniais, sejamos menos otimistas e tolos e mais realistas.

Mas torçamos e cuidemos para que não ocorram guerras. Se ficarmos vivos, o pior que pode nos acontecer é vermos murcharem nossos sonhos de prosperidade fácil, é termos que trabalhar mais para efetivar nossos projetos – alguns deles, os mais caros, terão que ser cortados da lista, é claro.

De qualquer forma, não creio estar sendo pessimista, agora, ao repetir John Lennon e o padeiro da esquina: “O sonho acabou.”

Alguns anos depois…

Não acredito que esta será a última grande crise mundial (caso a III Guerra não nos varra do mapa, é claro). Aos poucos a rigidez econômica e protecionista dos governos se afrouxará. Os meninos de Wall Street (quer esta esteja ainda nos EUA ou na China, ou quem sabe, na Bovespa), daqui a algumas décadas, serão novamente cegados pela ganância e pelo otimismo. O passado terá virado história e, na cabeça deles, não se repetirá. Humanos, demasiado humanos, seus corações transbordarão de euforia ao verem um índice subir 10% em um dia. E ordenarão que se compre, compre, compre…

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Seleção de vídeos sobre bolsa de valores no site ADVFN

Postado por Alessandro Martins em - Tudo sobre Bolsa de Valores Vídeos sobre bolsa de valores

Sempre que um leitor me pergunta onde acompanhar a variação de preço de índices como o Ibovespa e de preços de ações, eu indico o ADVFN. Mesmo a opção gratuita é muito boa e oferece bons métodos de implementar sua análise gráfica.

A maior parte dos vídeos, creio, está hospedada no YouTube, sendo uma seleção de temas que dizem respeito à Bolda de Valores, particularmente à Bovespa.

Você pode ver:

Fica a sugestão para o pessoal da ADVFN para implementar um sistema de RSS para acompanhar a entrada de vídeos com mais facilidade através de um leitor de feeds. Dessa forma, não seria necessário entrar a todo instante na página para descobrir se há alguma novidade.

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Como funciona o circuit breaker da Bovespa

Postado por Alessandro Martins em - Uncategorized

O circuit breaker é um dispositivo de segurança da Bovespa.

O período de paralisações serve, entre outras coisas, para que os negociadores tenham tempo de respirar, não entrem em pânico e não agravem uma situação já por si só complicada.

Segundo esse documento da Bovespa, o Circuit Breaker funciona de acordo com algumas regras:

  • REGRA 1: Quando o Ibovespa atingir limite de baixa de 10% (dez por cento) em relação ao índice de fechamento do dia anterior, os negócios na BOVESPA, em todos os mercados, serão interrompidos por 30 (trinta) minutos.
  • REGRA 2: Reabertos os negócios, caso a variação do Ibovespa atinja uma oscilação negativa de 15% (quinze por cento) em relação ao índice de fechamento do dia anterior, os negócios na BOVESPA, em todos os mercados, serão interrompidos por 1 (uma) hora.

E ainda:

  • Não haverá acionamento das REGRAS 1 ou 2 na última meia hora de funcionamento do Pregão;
  • Ocorrendo a interrupção dos negócios na penúltima meia hora de negociação, na reabertura dos negócios, o horário será prorrogado em, no máximo, mais 30 (trinta) minutos, sem qualquer outra interrupção, de tal forma que se garanta um período final de negociação de 30 (trinta) minutos corridos; e
  • Serão cancelados os negócios eventualmente registrados após a ultrapassagem dos limites citados nas REGRAS 1 ou 2.

Resumindo:

  • Se o índice da bolsa cai mais de 10% comparativamente ao fechamento do pregão anterior, ele é acionado. As negociações ficam paralisadas durante 30 minutos
  • Se, ao retornarem as negociações depois dessa meia hora, o índice registrar mais 5% de queda (perfazendo um total de 15% de baixa no dia), o circuit breaker é novamente acionado. Desta vez as negociações ficam paradas durante 60 minutos.
  • Sempre haverá pelo menos mais meia hora de negociação após o acionamento desse dispositivo de segurança. Um pregão nunca termina com o acionamento do circuit breaker. A intenção é permitir que os negociadores ajustem suas posições.

Ainda bem que há o circuit breaker. Sabe lá até onde o índice iria hoje.

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Perguntas e respostas para tempos de crise

Postado por Alessandro Martins em - Tudo sobre Bolsa de Valores

Tenho recebido diversas perguntas de iniciantes acerca do que fazer neste momento de crise na bolsa de valores e na economia como um todo. A maior parte das respostas, no entanto, está mais no que você deveria ter feito antes da crise e não durante ela. E, muitas delas, eu não sei dar.

Como iniciante, prefiro confiar na resposta de gente mais experiente.

O Leandro, da Leandro & Stormer, respondeu algumas das perguntas que vêm recebendo no fórum do site de sua empresa. De fato, são perguntas muito similares às que venho recebendo e correspondem às inquietações de todos os que vêm assistindo a bolsa despencar nos últimos quatro meses.

  • Leia as perguntas e respostas em tempo de crise de Leandro

Uma das coisas mais importantes que ele disse:

O que eu faço caso esteja numa situação de grande prejuízo?

O primeiro passo é se perguntar qual foi o motivo da compra. Se o plano era comprar e ficar comprado para o longo prazo e você ainda acredita na empresa, siga a operação. Nesse ponto é preciso ressaltar que não é bom fazer alocação de capital em ações de uma vez só. Geralmente o ideal é comprar aos poucos, no caso de acumulação de ações. Agora, se a idéia era fazer um trade, onde estava o stop? Se o papel já caiu 60%, 70%, talvez não valha mais a pena encerrar. De outra forma, identifique um patamar de suporte e ajuste um novo stop abaixo desse suporte. Reflita sobre o prejuízo e encare ele como uma lição importante. Depois, cole no seu monitor um aviso: “USE STOPS SEMPRE”. Agora, se você comprou por causa de uma dica, de uma notícia ou de um sonho premonitório, saiba que você utilizou a bolsa como um cassino. E nesse caso, as chances da casa sempre são maiores. Pare de operar e vá estudar mais sobre o mercado.

Acho que ele disse tudo nessas poucas linhas. Não deixe de ler as outras perguntas e respostas.

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