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Esquema Ponzi não é pirâmide

Postado por Alessandro Martins em - Outros investimentos

A fraude financeira promovida por Charles Ponzi tem características únicas que a distinguem de outras fraudes financeiras: ativo-objeto inusitado, retorno extraordinário e construção da confiança. Ponzi é na verdade uma questão de crédito, de crédito invertido.

Há uma tendência a associá-lo a outras fraudes, e não é rara a definição de Esquema Ponzi como uma pirâmide financeira. Isso se dá porque, à exceção da construção da confiança, as duas modalidades compartilham certas características. A imediata associação visual à imagem de uma pirâmide atende à necessidade de rápida explicação do esquema de Charles Ponzi.

No afã de transmitir o modus operandi da fraude, imprensa e autoridades acabam por defini-la como se fosse uma pirâmide financeira. Entretanto há diferenças significativas entre esses dois tipos de fraude:

Esquema Ponzi

  1. O fraudador tem o controle e pode decidir, na maioria das vezes, quando descontinuar o esquema.
  2. O retorno financeiro obtido pelo participante em um Esquema Ponzi está correlacionado, exclusivamente, com o capital por ele investido.
  3. Funciona com o contínuo pagamento dos primeiros entrantes com os recursos oferecidos pelos entrantes mais recentes, sem a preocupação com o recrutamento ou com a posição ocupada na estrutura por cada participante.
  4. O recrutamento de novos investidores garante unicamente novos recursos para que os contratos vincendos sejam honrados, sem alterar a rentabilidade de um investidor.
  5. Interação como o operador da fraude: o participante tende a interagir diretamente com o operador do esquema, tornando todo o relacionamento mais pessoal, o que favorece a aplicação de atributos do promotor na conquista de investidores.
  6. Apresenta um padrão de colapso mais lento, quase cambaleando até o final, dependendo de como os participantes reinvestem seus ganhos e de como o operador lida com as primeiras oposições ao esquema.

Pirâmides Financeiras

  1. Os promotores ou iniciadores não têm quaisquer controles sobre o andamento da movimentação financeira, no que dependerão das ações dos novos entrantes.
  2. Um investidor recebe retornos crescentes em função do número de novos participantes que entrem abaixo dele na estrutura da pirâmide.
  3. Naturalmente, o recrutamento de novos entrantes consiste em fator necessário nos dois tipos de fraude.
  4. O recrutamento de novos participantes é crucial para que aqueles já dentro da pirâmide alcancem o retorno extraordinário prometido.
  5. Interação com o promotor do negócio: o participante, por vezes, nem chega a conhecer o promotor original, dado que aqueles participantes mais recentes entram em níveis mais afastados do promotor.
  6. O colapso normalmente se dá de imediato, pois o negócio exige que um número de novos participantes a cada nível cresça exponencialmente, o que se torna muito difícil ou quase impossível em certo momento.

Livro

capa do livro Esquema Ponzi Como Tirar Dinheiro dos Incautos de Fabio Cres

Muito utilizada pela imprensa e por pessoas do meio financeiro ou jurídico, a associação de Esquemas Ponzi com pirâmides financeiras é equivocada. Para desfazer esse equívoco, o livro “Esquema Ponzi: como tirar dinheiro dos incautos”, de Fabio Cres, traz um capítulo com essas que explica que cada um desses tipos de fraudes tem seu modelo de engajamento e de rentabilidade próprio.

O livro está disponível em eBook em formato convencional (POD, papel, “paperback”):

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