Entenda a crise com uma música do Chico Buarque
Por Alessandro Martins, em 30.9.2008 em Insights sobre a bolsa de valores
O blog Banda Podre explicou de maneira simples como a atual crise econômica se deu.
Claro que a coisa é bem mais complexa, mas é mais ou menos como o editor do blog escreveu:
O seu José tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça ‘na caderneta’ aos seus leais fregueses, todos bêbados e quase todos desempregados. Porque decidiu vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito) e ter um lucro maior.
O gerente do banco do seu José, um ousado administrador formado em curso de Administração e com MBA, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao boteco tendo a pindura dos pinguços como garantia.
A historinha continua. Não deixe de ler o texto integral.
Claro que tudo isso lembrou-me uma canção de Chico Buarque. A música O Malandro é apenas uma versão da letra que Kurt Weill fez para a Ópera dos Três Vinténs, de Brecht, mas além de ser divertida, tem muito a ver com a explicação dada pelo Banda Podre.
A letra pra você cantar juntinho enquanto acompanha o pregão de hoje:
O malandro/ Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no péO garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No portuguêsO galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidorMas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réisO usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do BrasilNosso banco/Tá cotado
‘Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/AssutadorMas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beberA cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do BrasilO usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregadorEste chega/Pro galego
Nega arrego/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçomO garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação
Claro que também não é exatamente assim que entenderemos como a coisa funciona. São situações bem diversas. Mas pelo menos fica claro no de quem a bomba vai estourar.


2 Comentário(s)
Por Igor on 30.9.2008 | Reply
Só uma dica: o texto não é original do blog que você citou, e sim desse aqui:
http://filthymac.apostos.com/2008/03/pendura_sebastiao_1.html
Basta notar que a data de publicação é de março.
Por Alessandro Martins on 30.9.2008 | Reply
Não entendi, Igor. O link que você mandou não tem o mesmo texto que eu citei. Acho que você está confundindo.
Abraços!