Entenda a crise com uma música do Chico Buarque

O blog Banda Podre explicou de maneira simples como a atual crise econômica se deu.

Claro que a coisa é bem mais complexa, mas é mais ou menos como o editor do blog escreveu:

O seu José tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça ‘na caderneta’ aos seus leais fregueses, todos bêbados e quase todos desempregados. Porque decidiu vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito) e ter um lucro maior.

O gerente do banco do seu José, um ousado administrador formado em curso de Administração e com MBA, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao boteco tendo a pindura dos pinguços como garantia.

A historinha continua. Não deixe de ler o texto integral.

    Claro que tudo isso lembrou-me uma canção de Chico Buarque.  A música O Malandro é apenas uma versão da letra que Kurt Weill fez para a Ópera dos Três Vinténs, de Brecht, mas além de ser divertida, tem muito a ver com a explicação dada pelo Banda Podre.

    A letra pra você cantar juntinho enquanto acompanha o pregão de hoje:

    O malandro/ Na dureza
    Senta à mesa/Do café
    Bebe um gole/De cachaça
    Acha graça/E dá no pé

    O garçom/No prejuízo
    Sem sorriso/Sem freguês
    De passagem/Pela caixa
    Dá uma baixa/No português

    O galego/Acha estranho
    Que o seu ganho/Tá um horror
    Pega o lápis/Soma os canos
    Passa os danos/Pro distribuidor

    Mas o frete/Vê que ao todo
    Há engodo/Nos papéis
    E pra cima/Do alambique
    Dá um trambique/De cem mil réis

    O usineiro/Nessa luta
    Grita(ponte que partiu)
    Não é idiota/Trunca a nota
    Lesa o Banco/Do Brasil

    Nosso banco/Tá cotado
    ‘Tá cotado
    No mercado/Exterior
    Então taxa/A cachaça
    A um preço/Assutador

    Mas os ianques/Com seus tanques
    Têm bem mais o/Que fazer
    E proíbem/Os soldados
    Aliados/De beber

    A cachaça/Tá parada
    Rejeitada/No barril
    O alambique/Tem chilique
    Contra o Banco/Do Brasil

    O usineiro/Faz barulho
    Com orgulho/De produtor
    Mas a sua/Raiva cega
    Descarrega/No carregador

    Este chega/Pro galego
    Nega arrego/Cobra mais
    A cachaça/Tá de graça
    Mas o frete/Como é que faz?

    O galego/Tá apertado
    Pro seu lado/Não tá bom
    Então deixa/Congelada
    A mesada/Do garçom

    O garçom vê/Um malandro
    Sai gritando/Pega ladrão
    E o malandro/Autuado
    É julgado e condenado culpado
    Pela situação

    Claro que também não é exatamente assim que entenderemos como a coisa funciona. São situações bem diversas. Mas pelo menos fica claro no de quem a bomba vai estourar.

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    1. 2 Comentário(s)

    2. Por Igor on 30.9.2008 | Reply

      Só uma dica: o texto não é original do blog que você citou, e sim desse aqui:

      http://filthymac.apostos.com/2008/03/pendura_sebastiao_1.html

      Basta notar que a data de publicação é de março.

    3. Por Alessandro Martins on 30.9.2008 | Reply

      Não entendi, Igor. O link que você mandou não tem o mesmo texto que eu citei. Acho que você está confundindo.

      Abraços!

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