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Série Crise de 2008 (parte 5): quanto precisamos cair para admitir o Crash? Lembre-se de 1932…

Esta série é foi escrita pelo psiquiatra Fernando César, editor dos blogs FTudo e Minha Padaria, para iniciantes na Bolsa de Valores.

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Na parte 2 deste artigo, perguntei, sobre a crise atual:  “Se isto não é um crash, o que seria?!”. Pensando melhor, acabei questionando a mim mesmo, e as linhas a seguir são uma tentativa de resposta.

O sistema financeiro mundial é um grande conjunto de peças de dominó, em PE, enfileiradas. A crise atual começa quando algumas destas peças, importantes, no início da fileira, começam a cair.

Os mercados entram em pânico. (Como são sensíveis esses investidores! E como se apressam os governos em acalmá-los!) Presidentes dos mais importantes países resolvem tomar medidas para segurar as próximas peças do dominó.

O que vem agora? Uma pequena euforia, talvez.

Recuperação plena dos valores dos papéis e retomada da curva ascendente? Quase impossível. O plano-de-fundo não permite. Há uma crise real: talvez agora não ouviremos mais falar de falências, mas certamente veremos balanços com ganhos menores que os previstos há algum tempo, balanços com ganhos ínfimos, com prejuízos. E há uma crise psicológica: sabendo que há uma crise, menos empreendedores se arriscarão em novos projetos.

Ou seja, levará um bom tempo (Quanto?! Impossível precisar…) até que as ações recuperem seus recordes históricos e os superem.

O Crash de 29 talvez não seria considerado um crash se apenas o ano de 1929 fosse levado em conta – do início ao fim do ano, a perda foi em torno de 20%; do recorde histórico até o final do ano, queda por volta dos 35%. Além do mais, em abril de 1930 Dow Jones praticamente recuperou o valor do início de 1929. Se (ah, os “ses”…) a partir daí o índice tivesse mantido uma tendência de estabilidade ou de alta, por mínima que fosse, o Crash de 29 não existiria nos livros de história.

O que fez a queda de 29 tão famosa é o que acontece nos anos seguintes, culminando em 1932, com os papéis se desvalorizando em média de 89% em relação ao pico histórico de 29. Talvez o melhor nome para essa crise fosse “Crash de 29-32”, seria mais explicativo e condizente com a realidade.

Enfim, com a intervenção governamental (que também houve aquela época, diga-se de passagem…) é possível que a desvalorização máxima das ações, na crise atual, não chegue nos mesmos 89% daquela época.

Dow Jones perdeu cerca de 40%, Bovespa 50%. Qual a perda necessária para que possamos “oficialmente” nomear esta crise de “crash”?   Particularmente, penso que perda de mais de 50% já seria um crash. Pois já estaríamos mais pertos do zero que do recorde. Mas outras pessoas poderiam escolher outros valores – 75%? Os mesmos 89%? Ou até menos: 25%?

Ou para a definição de “crash” seria mais importante o tempo decorrido entre a queda e a recuperação que a porcentagem de queda? De fato, se numa situação bastante hipotética os papéis caíssem 90% em uma semana e, na semana seguinte, se recuperassem e continuassem subindo, ninguém falaria em crash, mas talvez no “Grande Susto de 2008”, algo assim. Na crise de 29, Dow Jones levou nada menos que 25 anos para se recuperar plenamente! Será que se a recuperação, agora, levasse “apenas” 20 anos, por isso não poderíamos denominar “crash”? Ninguém concordaria com isso, todos aceitariam um período menor na definição. Mas quanto? Novamente, as opiniões divergiriam. Eu estabeleceria ao menos cinco anos. Dois anos ou menos, definitivamente não seria um “crash”. Talvez, falaríamos no  ”Grande Abalo de 2008”.

Como percebe-se, a melhor definição seria a que combinasse os dois fatores: magnitude da queda e duração de tempo necessária para a recuperação. Em meus critérios, totalmente pessoais, eu chamaria de “crash” uma queda de 50% ou mais que levasse 5 anos ou mais para a recuperação plena.

Este seria o “crash mínimo”.  “Crash grau 1”. O Crash de 29 seria quase o “Crash máximo” (o máximo seria a falência geral, isto é, as ações perderem praticamente 100% de seu valor; ou os valores “nunca mais” se recuperarem).

Por estes parâmetros, já temos agora um dos fatores presentes: a queda de cerca de 50% dos valores das ações. Teremos o segundo fator, isto é, uma longa espera até sua recuperação? Impossível prever. Mas já temos “meio crash”. Como se o sistema econômico mundial houvesse perdido uma das suas pernas. Resta saber se perderá a outra.

Mas até que ponto é importante este fuzuê em torno do nome da crise? Se chamarmos de “Meio Crash”, “Mini Crash”, “Crashzinho”, isso mudará alguma coisa, ao invés de falarmos simplesmente da “crise de 2008” (com inicial minúscula mesmo)? Talvez não, mas talvez sim. Um crash, mesmo que “mínimo”, seria muito mais estudado que uma “simples crise”. Estudando-se mais, haveria uma chance bem maior de se evitar a repetição desta “crise”.

Mas já não se estudou demais o Crash de 29? Sim, só que neste atual há uma lição nova: o que é aprendido, mas não é praticado, de nada serve…

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    1. 11 Comentário(s)

    2. Por Davi Cordeiro on 13.10.2008 | Reply

      Muito bom!!
      Temos mesmo que estar informados da REALIDADE.

    3. Por Davi Cordeiro on 13.10.2008 | Reply

      Essa crise está sim afetando o Brasil, o Governo diz que está tudo bem, mas os bancos estão em greve, logo agora?!

    4. Por Alessandro Martins on 13.10.2008 | Reply

      Tem razão, Davi… quanto mais informado você estiver, mais vantagem você terá…

      Abraços do Alessandro.

    5. Por A.J. - Júnio on 14.10.2008 | Reply

      “Mas até que ponto é importante este fuzuê em torno do nome da crise? Se chamarmos de “Meio Crash”, “Mini Crash”, “Crashzinho”, isso mudará alguma coisa, ao invés de falarmos simplesmente da “crise de 2008” (com inicial minúscula mesmo)? Talvez não, mas talvez sim. Um crash, mesmo que “mínimo”, seria muito mais estudado que uma “simples crise”. Estudando-se mais, haveria uma chance bem maior de se evitar a repetição desta “crise””

      Ou talvez, isso geraria um panico maior na população agravando ainda mais a CRISE DE 2008.
      (vide comentário no post “Série Crise de 2008 (parte 2): Crise ou Crash de 2008?”.

    6. Por Fernando on 15.10.2008 | Reply

      A. J.,

      li seu comentário na parte 2.

      Concordo com você que nomear o problema pode piorá-lo. Por isso há pessoas que preferem nem saber se tiverem uma doença grave, por exemplo.

      Por outro lado, é evidente que não se trata de uma crise qualquer. Se tratarmos como uma crise qualquer, perdemos a chance de buscar tratamentos mais adequados para a “doença”.

      É muito difícil dimensionar o tamanho no “durante”. Aliás, por definição, talvez seja impossível.

      Nesta parte 5 do texto falo justamente sobre isso, sobre a falta de critérios mais objetivos para nomearmos o que vivemos agora, e de como a falta deste nome pode ser perniciosa.

      A intenção não é criar pânico. Apenas tirar o véu. O que a derrocada de agora tem de diferente da de 29, por enquanto, a meu ver, é a duração da crise.

      Trabalhemos para que seja diferente mesmo.

      Abraço.

    7. Por A.J. - Júnio on 16.10.2008 | Reply

      Fernando,

      Com certeza concordo contigo. Mas minha preocupação não é conosco que estamos ao menos preocupados buscando informações em sites como este por exemplo, minha preocupação maior é quanto as pessoas e os comentários que ando ouvindo do tipo:
      “Nossa, eu que não arrisco meu dinheiro no banco! vou tirar tudo”
      Ou do tipo:
      “É, não vou ‘mecher’ com comprar meu carro não, o povo dos EUA perderam a casa, eu que nao vou perder nada!”

      Entre outros. Pois essas pessoas são movidas a Tv Globo, e quando há um alerta geral, com termos técnicos, falando de crise mundial, subprime, quantias exorbitantes de dinheiro sendo aplicadas nos bancos, quebra de bancos, crise de 29, etc. Tudo o que a população entende disso tudo é que se deve “congelar” a economia, e isso só piora nossa situação (que já éh gravíssima!).

      Em todo caso, espero que superemos essa da melhor maneira possível.

      Abraço.

    8. Por safado on 4.11.2008 | Reply

      e foi lega isso ai que eu li poque com isso fiz o meu trabalho e kem sabe possa tirar hum 10 bjoo

      k k k k k k k k k k k k k k k k k k k k

    9. Por Alessandro Martins on 8.11.2008 | Reply

      Hahaha. Vou contar para seu professor. Abraços, meu caro. Não esqueça de dar os devidos créditos.

    10. Por Danielle on 29.11.2008 | Reply

      Que a crise está afetando o Brasil, isso é evidente! agora,ao invés de pensarmos se é um “meio crash”,”mine crash”,”crash” ou simplesmente “crise com letra minúscula”, devemos ficar de olho nas medidas que estão sendo adotadas pelo governo,onde a inflação esta crescendo,se há projetos de privatização, enfim, enquanto ao nome dado a essa grande bola de neve a história se encaregará!

    11. Por Alessandro Martins on 2.12.2008 | Reply

      Danielle,

      pode ter certeza de que se encarregará.

      Abraços do Alessandro.

    12. Por marlisantos on 4.3.2009 | Reply

      Por favor envie um resumo sobre a crise economica.Grata marly

    1. 3 Trackback(s)

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