O que forma os suportes e as resistências no gráfico das ações da bolsa de valores
Por Alessandro Martins, em 20.7.2007 em Análise Técnica do mercado de ações, Insights sobre a bolsa de valores
Existe uma passagem muito bonita do Yôga Sutra, de Patañjali (calma, safados! não tem nada a ver com o Kama Sutra) que diz: a memória é a não extinção das experiências passadas.
É a melhor definição de memória que conheço e talvez a mais poética, por sua poderosa síntese.
E, de certa forma, ela - a memória - explica a formação dos suportes e resistências no gráfico das ações da bolsa de valores.
Recapitulando:
- Suporte: Região na qual o interesse de comprar é grande, superando a pressão vendedora, o movimento de queda tende a parar.
- Resistência: Região na qual o interesse de vender é grande, superando a pressão compradora, o movimento altista tende a parar.
Acontece que, nessas regiões, os investidores lembram que realizaram lucros ou que tiveram prejuízos.
Fica mais fácil se você pensar em termos de prazer e dor.
- Quando coloquei a mão em uma panela quente, passei a me lembrar que esse gesto pode queimar a minha pele. E, ao evitá-lo, repito a experiência dolorosa passada mesmo sem vivê-la propriamente. Talvez a panela nem esteja assim tão quente.
- Quando comi algo saboroso, passei a lembrar dessa sensação sempre que senti o cheiro desse quitute. E, ao salivar de apetite, repito a experiência prazerosa passada mesmo sem vivê-la propriamente. Talvez o sabor real nem esteja tão bom assim.
Na bolsa, funcionaria assim:
Quando o preço de determinada ação começa a cair, os investidores lembram que em um passado recente a queda foi interrompida no momento em que chegou a certo nível. Então há quase que uma reação natural de subida para repetir a experiência passada recente.
O mesmo acontece nas altas. Os investidores lembram que quando os preços chegaram a certos níveis voltaram a baixar.
Importante lembrar que reações em grupo são muito mais poderosas que reações individuais.
Pelo que tenho acompanhado, essa lembrança é registrada nos gráficos, nas anotações e, principalmente, no bolso dos investidores.
O bolso costuma lembrar melhor que o cérebro. Portanto, no caso da bolsa, é ele - o bolso - que não permite que as experiências passadas sejam extintas e superadas de imediato.
Mas se os suportes e resistências fossem absolutos, os preços ficariam oscilando apenas em uma determinada faixa.
O que na prática não acontece.
Com freqüência, suportes e resistências são rompidos, com maior ou menor facilidade, e os preços vão a regiões muito acima ou muito abaixo do que jamais foram. E criam novas experiências marcantes e importantes.
O que determina esse rompimento de suportes e resistências, sua facilidade ou dificuldade, suas conseqüências e muito mais, porém, são uma outra história que deve ser contada em outra ocasião.

